sábado, 5 de agosto de 2017

Sobre o Verão [que nunca chegou e já partiu]

Por força das circunstâncias, este Verão será todo passado em Inglaterra. Há dois anos, quando o meu filho nasceu, decidimos que o Verão seria por cá também, já que ele era muito pequenino e não queríamos fazer a viagem de avião para Portugal tão cedo. Nessa altura, pensei que esse seria o único Verão a ser passado cá mas enganei-me. Quando decidimos, este ano, que ficaríamos cá, fi-lo (quase) com um sentido de missão e preparei-me mentalmente para a altura do ano em que realmente detesto estar aqui. Até agora, não foi muito mau. Custa sempre mas a certeza de que esta foi a melhor decisão, ajudam a enfrentar o que me parece um longo e interminável Inverno (no sentido literal e metafórico).

Hoje custou um pouco mais. O meu Facebook e Instagram estão carregados de fotos na praia. De comentários sobre o calor. Estão cheios de gente de férias e fim-de-semana, a aproveitar a alegria do calor, a leveza dos dias compridos, a doçura das noites quentes. Por aqui o Verão fez-se sentir por alguns dias, lá atrás, em Junho e já terminou. As temperaturas mal chegam aos 20 graus, a chuva é mais que muita. Já vivi Outonos em Portugal muito mais simpáticos. Há dias em que custa muito. Hoje foi um desses dias.

Que venha o Inverno, estou mais do que preparada!


quarta-feira, 21 de junho de 2017

É Verão!

Nem de propósito! Hoje é o primeiro dia de Verão e a avaliar pelas minhas memórias do Facebook, deve ser a primeira vez que, de facto, o calor se faz sentir por aqui. Amanhã já amaina, é verdade, mas já estou bem satisfeita pelos últimos dias!

Mas entre a satisfação do calor, não consigo deixar de pensar que ainda agora a estação mais quente do ano entrou e o país já está a ser assolado por tantos (e tão trágicos) fogos. Não vou remoer ou comentar o que correu mal. Não sou especialista no assunto e julgo que todas as plataformas já foram inundadas de informação nesse sentido. Sobretudo, agora, interessa prevenir. O calor está aí em força, as matas não estarão limpas como deveriam mas planos de emergência eficazes precisam-se!

Entretanto, numa nota mais leve, iremos ter a silly season no seu esplendor outra vez. É aproveitar para descansar a cabeça e o corpinho, seja na toalha da praia ou noutro lado qualquer. Um bom Verão a todos!


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Verão, onde estás?

Quando vim para Inglaterra, há seis anos, fui para Londres. Sempre adorei a cidade, a multiculturalidade, a diversidade, o frenesim. Sendo uma pessoa que adora a praia e o calor, sabia que o clima seria um desafio mas pensei que passado algum tempo - meses, talvez - me habituasse. Para além disso, continuaria a ir a Portugal no Verão e, quem sabe, viajaria para outros destinos mais calientes com frequência. Isso não aconteceu.

Os Invernos, sobretudo os primeiros, foram muito difíceis. Sou friorenta por natureza e a adaptação foi muito complicada. Mas o que me custa mesmo, mesmo muito, são os Verões. Ou melhor, a falta deles. É verdade que já estou adaptada às temperaturas mais baixas. Já não me agasalho como nos primeiros anos e quando vou a Portugal raramente sinto frio. O Verão passado, aliás, passei dois meses em Portugal, e sofri com o calor! Mas a falta de sol e de calor deita-me ao chão. É-me difícil estar animada e bem-disposta quando em Junho ando de casaco e evito ir à rua porque me chateia a chuva interminável, o vento e o frio. Há dois dias acordei para um invernoso dia com 9º de temperatura. Hoje esteve um pouco melhor, fomos brindados com 15º mas o cinzento e a chuva reinaram todo o dia. 

Ao mesmo tempo, vou acompanhando a meteorologia portuguesa. É sol, é calor e é boa disposição. É mês de festas populares e de Feira do Livro e toda a gente anda até mais tarde na rua a aproveitar aquilo que, vivendo em Portugal, nem questionamos: a alegria do bom tempo! É nesta altura do ano que tenho mais dificuldade em viver aqui. Adoro praia e por aqui não há muitas para desfrutar. Vivo a cerca de 1h de distância mas a vulnerabilidade do tempo nunca me permitiu ir conhecê-las como deve ser. Já lá fui passear mas é tudo.

Por vezes vejo esta abstinência forçada como um karma que tenho de viver, na certeza de que irei vingar esta saudade no futuro, com muitos dias passados com os pés entre a areia e a água do mar. Ainda não será este ano e talvez não seja no próximo. Mas lá chegarei. Um dia vou voltar a viver o Verão!


Ilha de Tavira.
Um dos meus sítios preferidos no mundo💗

domingo, 21 de maio de 2017

#verybritishsundays

No meu instagram pessoal uso uma rubrica (quando me lembro) que é #verybritishsundays. Essencialmente, é uma forma de mostrar a britishness que se vive por cá no dia mais preguiçoso da semana. Na vila onde moro, nos Domingos de Primavera e Verão, há concertos no coreto, bem no centro do parque a que chamo "o meu jardim da frente". Hoje, dia de sol, lá fomos nós para a mini-festa. Eis um típico (solarengo) Domingo britânico.


#verybritishsundays


2

O meu filho fez 2 anos. Já lá vai quase uma semana desde o aniversário mas nem sempre encontro o tempo necessário para me sentar e escrever.

O ano passado, pelo primeiro aniversário, fizemos-lhe uma festinha. Nada em grande, não temos muitos amigos a viver por perto (sobretudo amigos que tenham também crianças), nem família. O meu pai veio passar uns dias, a avó e o tio pela parte do pai também. Longe de ser extravagante, fiz uns doces e uns bolos e o dia passou-se no jardim.

Este ano, não houve festa. O dia de aniversário calhou durante a semana, choveu todo o dia e só a avó pela parte do pai pôde estar presente. Sem muitos amiguinhos pequeninos por perto, decidimos que não valeria a pena fazer uma festa que seria, certamente, pouco festiva.

Como a previsão do tempo não estava a favor, resolvemos ir até à Kidzania, em Londres. Decepção total, pois quando lá chegámos estava fechado para um evento privado... Regressámos a casa, sem festa e sem a diversão que tínhamos imaginado. Tinha feito um bolo, apagámos as velas (que ele adorou) e pouco mais.

Eu sei que ele é pequenino e que ainda não tem a percepção do aniversário. Mas fiquei com o coração partido. Senti este dia como o reflexo do isolamento em que por vezes vivemos. A decisão de passarmos o próximo aniversário dele em Lisboa é, por isso, irreversível. Primeiro porque ele já irá perceber que se trata de um dia especial, depois porque será muito mais divertido passá-lo com o primo (que adora) e outros primos e amigos que podem brincar com ele. Ah, e o tempo certamente ajudará! Em dias de chuva, confesso que não sei muito bem como mantê-lo entretido. Mas sobre isto, falarei noutro post.

Mas apesar da não-festa, é claro, um dia feliz. É um dia em que revisito aquelas primeiras horas em que ele nasceu e me apercebo da longa caminhada que ele já fez até aqui. E a alegria de tê-lo na minha vida! Sim, é díficil, muito mais do que eu poderia ter imaginado. Mas é também muito melhor!

Que ele tenha sempre uma vida plena e feliz. Muitos parabéns Tommy ❣


domingo, 14 de maio de 2017

13 de Maio de 2017

Foi um fim-de-semana de emoções fortes em Portugal. Não sou muito religiosa e não sou (de todo) benfiquista. Há muitos anos também que não seguia o Festival da Canção. Mas foi bonito, tudo isto. Bem sei que não há maneira de se viver em êxtase constante, nem isso seria desejável, mas alegro-me tanto quando vejo o meu país feliz! Talvez seja coisa de emigrante, de quem transpira saudade todos os dias; talvez seja apenas felicidade por ver um povo que se auto-mutila constantemente a festejar. Se há coisa que aprendi sendo emigrante, foi a ver os portugueses com cores mais autênticas. Adoramos queixar-nos, é assim uma espécie de desporto nacional. Mas sobretudo, temos uma descrença em nós próprios que raia o patológico. Não somos os melhores em muitas coisas e não precisamos de sê-lo mas precisamos de nos alegrar com o que temos e fazemos de bom, sejam eventos, músicas ou outra coisa qualquer. Não temos de ter permissão para sermos e nos sentirmos orgulhosos, há coisas que realmente fazemos bem. Temos sim, de acreditar mais em nós, nos nossos talentos e naquilo que nos foi garantido à nascença: muito sol, boa comida e uma geografia maravilhosa.

Ganhámos a Eurovisão com uma canção verdadeiramente bonita e eu enchi-me de orgulho. 

Uma boa semana!


Ilustração pelo meu querido amigo João Rodrigues

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Feliz Dia da Mãe... atrasado :(

Comecei a escrever este post no próprio Dia da Mãe, mas quis a vida (e o tempo disponível) que só hoje o publicasse.

Em Inglaterra o Dia da Mãe celebra-se numa data diferente da portuguesa. Este ano calhou em Março e confesso que nunca sei qual é a data. Vou-me apercebendo que o dia está para chegar pela publicidade na televisão e pelas montras das lojas. Porque vivo em Inglaterra, celebro mais o dia da mãe por cá mas confesso que, no coração, a data portuguesa é a que conta mais. Pela minha mãe, por mim e pelas outras mães que tenho sempre presentes em mim, leia-se, a minha irmã e amigas.

Este ano, há mais um motivo para celebrar o 7 de Maio como Dia da Mãe. Estreia o site MÃES.pt, do qual orgulhosamente faço parte. O site pretende ser uma plataforma sobre maternidade que una as mães portuguesas (união na maternidade precisa-se e muito!), daí que os artigos sejam escritos por 40 mães diferentes, com experiências e backgrounds variados. Não há só textos cutxi-cutxi, nem rebeldias contra a ternura de ser mãe. Há de tudo. Porque a maternidade, como a vida, é feita de todos os tons.

Mais em MÃES.pt e também no Facebook.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Bom fim-de-semana!


Birras, birras e mais birras

Estamos a dez dias dos 2 anos. Dizem que são terríveis mas eu acho que essa terribilidade já assentou arraiais por aqui. Pelo menos quero acreditar que sim.

Eu não gosto de ir ao parque infantil. Embora seja aqui bem perto e seja, aparentemente, um sítio tranquilo, a verdade é que não gosto deste parque. Está geralmente cheio, muitas crianças são mais velhas (e o T. gosta de copiá-las não tendo ainda capacidade para fazer as mesmas brincadeiras), há muita correria, zona com pedregulhos e o terreno é a descer. Não morro de amores pelo sítio. Mas o que eu não gosto mesmo é da birra, que é certa, na hora de ir embora. Por ele ficávamos até ao dia seguinte mas como há mais vida para além do parque, não dá para ficar.

Hoje, depois de um passeio que estava a correr lindamente, lá fomos ao parque infantil e na hora de ir embora, lá veio mais uma birra. Feia, muito feia. Com direito a arranhadelas, puxões de cabelo e muitos gritos. Não gosto de dar palmadas ao meu filho, tenho dúvidas sobre a sua eficácia e não me parece sensato ensiná-lo a não bater, batendo. Acredito que a melhor forma de educá-lo é modelando o meu próprio comportamento e, eventualmente, quando o seu desenvolvimento o permitir, ele perceberá que não se bate a ninguém. Mas apesar de acreditar que esta é a melhor abordagem, às vezes não consigo fazê-lo. Quando me puxou o cabelo, dei-lhe uma palmada. A birra não amainou muito e entre levá-lo a ele e à bola que trazíamos connosco no meu colo, a minha irritação ia aumentando. Um verdadeiro malabarismo no meio da birra. Já disse que estava frio e vento? Não ajudou.

Ultimamente este comportamento tem-se acentuado. Curiosamente, enquanto estivemos em Portugal, aconteceu muito menos. Não sei se será o facto de estar deslocado, fora do seu ambiente normal, que o leva a ficar mais "reservado". A verdade é que assim que regressámos a Inglaterra, voltou a bater mais. Confesso que não sei exactamente como lidar com isto. Não quero bater-lhe mas quero que compreenda que é um comportamento inaceitável. Sei que esta é uma fase natural do desenvolvimento infantil pela qual muitas crianças passam mas não me parece certo deixar estas birras passarem em branco.

Enfim, de regresso a casa, pazes feitas e mimos trocados. E amanhã, certamente, haverá outra! 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

De volta à terra da Mãejestade

Depois de quase três semanas em Portugal, regressámos a Inglaterra no Sábado à noite. Como sempre, é difícil partir. Ver Lisboa lá de cima, sabendo que estou de partida, corta-me sempre o coração. Talvez já devesse estar habituada - já são seis anos disto -, mas não estou.


Apesar de voltar sempre com o coração apertado, confesso que há também um certo gosto em regressar. Isto sim, é uma novidade. Durante anos e anos, cada partida era apenas feita de angústia, agora é um pouco diferente. Com uma criança pequena, a logística das viagens não é fácil (é mesmo um pesadelo), as estadias fora implicam rotinas diferentes, métodos e formas de fazer as coisas diferentes e o regresso, é por isso, permeado de um certo alívio. Voltamos às pequenas coisas a que já estamos habituados, em que as rotinas já estão "oleadas" e tudo corre mais suavemente.

Segunda-feira foi feriado por cá (não por ser Dia do Trabalhador) e por isso aproveitámos para descansar e arrumar toda a tralha que carregamos connosco nas viagens. Ontem, retomámos a rotina habitual e fomos até um playgroup de manhã. Infelizmente, o tempo não está para grandes passeios na rua e voltamos também às tardes passadas em casa. A foto em baixo foi tirada esta manhã num parque a poucos metros de casa. Gosto de lhe chamar "o meu jardim da frente" e é um belo jardim, com direito a rio e tudo! 


Para esta tarde, a seguir à sesta, tenho planeada uma brincadeira que encontrei neste livro. É que isto de estar e  casa com as crianças não é sopas, descanso e ver séries na TV. Na verdade, é um misto entre tarefas domésticas e brincadeiras infantis. Mas sobre o meu papel de Educadora de Infância falarei noutro dia...

Uma boa Quarta-Feira!