Vivo num país em estado líquido:
a quantidade de chuva que cai do céu só é suplantada pela quantidade de chá
bebido pelos seus habitantes. Não tenho particular apreço por nenhum dos dois
mas foi o país que escolhi para viver, já lá vão seis anos. Na época, vim de
peito aberto, disposta a abraçar o caminho que ainda não conhecia e com a única
certeza de que um dia voltaria para Portugal. Esse dia ainda não chegou mas já
muita água correu por aqui (literalmente).
Depois de quatro anos a viver em
Londres, rumámos um pouco mais a sul, já ia eu grávida, à procura de uma vida
mais pacata, com rendas mais simpáticas e melhor qualidade de vida para uma
criança. Não nos arrependemos. Vivemos numa pequena vila tipicamente inglesa
que podia fazer de cenário a um filme romântico (em boa verdade, já fez), onde
os mais velhos nos cumprimentam na rua e vamos fazendo amizade com os vizinhos.
De todos os anos que já passei longe de casa, os últimos dois foram, sem
dúvida, os melhores.
Mas ser mãe no estrangeiro é
difícil. Fazem-me falta as minhas pessoas e os meus lugares e mostrar ao meu
filho o que é o amor via Skype parte-me muitas vezes o coração. Porque as novas
tecnologias ajudam, encurtam a distância, mas não a eliminam. Gostava que o meu
filho crescesse junto dos avós, que o meu filho adormecesse no colo do avô
dele, como eu adormecia no colo do meu. Queria que o meu filho brincasse com os
primos, os de sangue e os emprestados. Que conhecesse bem as tias e os tios que
tem de sobra em Portugal e que a família e os amigos o vissem crescer em tempo
real, para lá das fotografias e vídeos que vamos fazendo e enviando.
Mas por enquanto a vida é por
terras de Sua Majestade, ou Mãejestade, já que foi por cá que a palavra Mãe
ganhou uma dimensão maior, e a minha aldeia – aquela que dizem ser precisa para
criar uma criança – recebe-nos de coração aberto em cada regresso a casa.
Um bem-haja a todas as mães que
vivem longe da sua aldeia, por esse mundo fora!
Sem comentários:
Enviar um comentário